Púrpura secreta

Sexta-feira, Outubro 29, 2004

Do Portugal Profundo

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“Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
E eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram atrás dos judeus
E eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram atrás dos sindicalistas
E eu não disse nada porque não era sindicalista.
Então vieram atrás de mim
E já não havia mais ninguém para falar por mim.”


Martin Niemöeller, prisioneiro em Sachsenhausen e Dachau de 1938 a 1945, (tradução de A. Caldeira)


Com um abraço de solidariedade para o António Balbino Caldeira.


E desiludida com a Justiça nada cega deste país, ainda um Portugal profundo de interesses velados e compadrios, em que a justiça se escreve com letra pequena e permite que arguidos acusados e pronunciados por vários crimes de abuso sexual de menores, como o sr. Carlos Cruz, tenham tempo de antena em horário nobre na televisão estatal; Permite que a directora de um jornal semanário de grande tiragem e filha do principal advogado da defesa utilize o jornal para promover encapotadamente a defesa dos arguidos, apresente cassetes roubadas a outro jornal e o diabo a sete (lembre-se o conveniente sósia) - e o resultado de tudo isto: descredibilização da investigação policial.


O lema do Portugal Profundo tem sido o da memória: as vítimas últimas de todo este longo processo social, político e judicial foram e são as crianças abusadas sexualmente, psicológicamente e para a vida toda.

Quinta-feira, Outubro 28, 2004

la vie pas en rose

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Viena em Paris

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Dame la mano*

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Sugestões para um fim de semana, a começar hoje (não custa sonhar).

No Porto, decididamente o que vai prender os meus sentidos todos ou quase até 23 de Janeiro é a exposição de Paula Rego em Serralves. Está guardada para dois dias próximos de mergulho numa cidade de beleza e boas recordações.


Em Lisboa, talvez espreite até 31 de Outubro a Estufa Fria, local belíssimo da infância e a precisar urgentemente de uma visita minha, a Exposição "Antecip'arte" - uma mostra de desenho, pintura, instalação, fotografia e vídeo, segundo reza o postalinho de divulgação à minha beira (fantástica esta expressão).

Na Culturgest temos o II Festival Internacional do cinema documental de Lisboa. Ora bem, aqui está um género que merece atenção e incentivo - já agora, os preços variam entre 1,5 € e 2 €, não há descontos e eu não tenho comissão ('tá mal, eu sei).

Alguém se lembra daquele documentário da Agnés Varda chamado 'Os respigadores e a respigadora'? O género documentário é excelente, se for bem 'feito', para a crítica da sociedade, para uma tomada de consciência cívica que anda ainda pelas ruas da amargura ou então serve de bandeira do BE. Ok, está mesmo nas ruas da amargura se serve de bandeira política do BE, eheheh...

O cinema documental, pois. Serve-se pois a seguinte ementa na sexta feira, 29, às 23h: "Dame la mano"*, e este é o resumo do prospecto de divulgação: Todas as noites de domingo, um pequeno restaurante de Nova Iorque transforma-se num pedaço de Cuba. As mesas são afastadas para dar lugar a uma pista de dança, que acolhe o imenso fervor dos exilados cubanos pela rumba. Boa maneira de começar o fim de semana, Nova Iorque, Cuba, dança, recordações e alegria com cheiro a saudade.

Percursos pelo País 2004 - o Festival Europeu de Artes e Espetáculos para um Público Jovem (malditas maiúsculas) - Lisboa, Évora, Coimbra, Viseu. Acabou a 24 de Outubro. Não tenho pena (vingança de público jovem a fugir)


E em qualquer lado, de preferência num cinema perto de si,

a vida é um milagre antes do anoitecer

Bom fim de semana:)

Sábado, Outubro 23, 2004

Um bom professor

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Incisivo e clarividente o artigo de Luís Aguiar Conraria, publicado no Público de 20 de Outubro último.
Destaco uma parte do texto, no todo que se centra nas capacidades pedagógicas dos docentes universitários e na valorização que um sistema de ensino faz ou pode fazer para incentivar essas competências, investindo nelas, não receando a avaliação dos docentes, que é inevitável, saudável e desejável e a ser feita pelos alunos.
O autor, doutorando numa universidade americana, faz a comparação entre a sua experiência como teaching assistance na exaustiva formação que lhe é dada e exigida pelo sistema americano de ensino superior e a que é oferecida aos docentes universitários em Portugal e, consequentemente, aos alunos, a nível de incentivo, de valorização, da disponibilidade para o próprio professor ser avaliado.



Tenho consciência de que não é fácil avaliar a qualidade pedagógica de um professor. Compreendo também que haverá alguns bons professores que serão injustiçados se um sistema de avaliação pedagógica, com consequência, for levado avante. Mas não nos esqueçamos de quantas injustiças são criadas ao não haver uma avaliação séria dos professores. É injusto para os alunos. É injusto para os pais. É injusto para os bons professores. É injusto para os potenciais bons professores que não encontram colocação nem nas universidades nem nos politécnicos.


E mais adiante:


São poucas (nenhumas?) as universidades portuguesas que têm estas preocupações pedagógicas. Talvez por isso, os meus melhores mestres tenham sido os do ensino secundário. Estes têm de passar por um estágio no início da carreira e, nalguma fase das suas carreiras, também acabam por ser orientadores de estágio.



O que é curioso é que para ser formando em cursos de formação a formadores ( a expressão é sobejamente conhecida e ficou célebre desde o tempo em que eram subsidiados pelo Fundo Social Europeu) é necessário a frequência com aproveitamento de um curso que pode durar até 6 meses ou mais, tanto quanto sei actualmente. Valorizam-se as competências comunicacionais, os formandos desse tipo de cursos aprendem a melhor forma de apresentar um tema, de cativar a atenção do aluno, de posicionar a voz, de adquirir uma postura adequada. São filmados, visionam as suas prestações em vídeo, localizam falhas, aprendem a rectificá-las. Porque não é aplicado este critério nas nossas universidades? ( pergunta de retórica...)

O problema não parte dos professores, mas da forma como o sistema está articulado. A maior parte deles preferiria, penso eu, que houvesse uma maior aposta na sua capacidade de formar, e não apenas na de transmitir conhecimento. O conhecimento é volátil, a formação não. Formar é vasto, dar aulas pode (?) resumir-se a ler o manual da disciplina, como aconteceu comigo numa cadeira do 3º ano da faculdade.

É-me impossível esquecer a minha professora de Português do antigo 9º ano (lá está, o exemplo vem do ensino secundário), que desafiou a turma a ir assistir a vários espectáculos. Nesse ano - tinha eu 14 anos - assistimos a uma opereta ao S. Carlos (O Barbeiro de Sevilha, impossível esquecer), e a peças de teatro no Teatro da Comuna e no Teatro D. Maria.

Penso que é uma questão de sensibilidade também. E de paixão pelo que se faz. Um professor que o é verdadeiramente, sabe intuitivamente como comunicar com os alunos, como os fazer apaixonar-se pelas matérias dadas. Penso ao mesmo tempo que as competências podem ser aperfeiçoadas, a bem da dignificação do papel do professor, da universidade, e tudo isto se reflectirá, em última análise, na aprendizagem do aluno e no entendimento saudável do que poderá ser a 'paixão da educação'.


Sexta-feira, Outubro 22, 2004

Cats (n)

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Via Ma-Schamba a descoberta do fotógrafo António Jacinto Pascoal.*




Cats

(António Jacinto Pascoal)


* a descoberta, para mim

Terça-feira, Outubro 19, 2004

espectáculo de solidariedade no Fórum Lisboa a favor da Saúde Mental: 26 de Novembro

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Recebi por mail esta informação de um espectáculo de solidariedade pela Saúde Mental, para angariar fundos e ajudar a desestigmatizar as pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas. E não são poucas, são é envergonhadas. Natural. Num sociedade de aparências obcecada com a beleza e o sucesso, qualquer desvio à normalidade é (ainda) camuflado - e quem não sabe é como quem não vê. Ora eu acho que se deve 'ver' para que enquanto sociedade e indivíduos possamos encontrar a melhor forma de aceitar, ajudar e desdramatizar.


O espectáculo será no próximo dia 26 de Novembro, às 22h, no Fórum Lisboa e contará com os grupos Gaiteiros de Lisboa e Sétima Legião ( o Rodrigo Leão tocará nos Sétima Legião). Os bilhetes já estão à venda na FNAC e Ticket Line. A partir de 1 de Novembro estarão à venda também no próprio Fórum Lisboa ( 18 € Plateia e 15 € no Balcão ).

Como mal temos dinheiro para fazer uma promoção a sério, todas as ajudas serão bem vindas.

Segunda-feira, Outubro 18, 2004

Cats




A alegria e a expressividade dos actores, a forma como entraram fisicamente no papel dos gatos, a caracterização das personagens, as estórias entrecruzados dos bichanos: explosão de luz, vida e cor - assim foi Cats. Uma delícia para cat-lovers.

Domingo, Outubro 17, 2004

that's why i love cats

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The Ad-dressing of Cats


You've read of several kinds of Cat,
And my opinion now is that
You should need no interpreter
to understand their character.
You now have learned enough to see
That Cats are much like you and me
And other people whom we find
Possessed of various types of mind.
For some are sane and some are mad
And some are good and some are bad
And some are better, some are worse -
But all may be described in verse.
You've seen them both at work and games,
And learnt about their proper names,
Their habits and their habitat:
But
How would you ad-dress a Cat?

So first, your memory I'll jog,
And say: A CAT IS NOT A DOG.

Now Dogs pretend they like to fight;
They often bark, more seldom bite;
But yet a Dog is, on the whole,
What you would call a simple soul.
Of course I'm not including Pekes,
And such fantastic canine freaks.
The usual Dog about the Town
Is much inclined to play the clown,
And far from showing too much pride
Is frequently undignified.
He's very easily taken in -
Just chuck him underneath the chin
Or slap his back or shake his paw,
And he will gambol and guffaw.
He's such an easy-going lout,
He'll answer any hail or shout.

Again I must remind you that
A Dog's a Dog - A CAT'S A CAT.

With Cats, some say, one rule is true:
Don't speak till you are spoken to.
Myself, I do not hold with that -
I say, you should ad-dress a Cat.
But always keep in mind that he
Resents familiarity.
I bow, and taking off my hat,
Ad-dress him in this form: O CAT!
But if he is the Cat next door,
Whom I have often met before
(He comes to see me in my flat)
I greet him with an OOPSA CAT!
I've heard them call him James Buz-James -
But we've not got so far as names.
Before a Cat will condescend
To treat you as a trusted friend,
Some little token of esteem
Is needed, like a dish of cream;
And you might now and then supply
Some caviare, or Strassburg Pie,
Some potted grouse, or salmon paste -
He's sure to have his personal taste.
(I know a Cat, who makes a habit
Of eating nothing else but rabbit,
And when he's finished, licks his paws
So's not to waste the onion sauce.)
A Cat's entitled to expect
These evidences of respect.
And so in time you reach your aim,
And finally call him by his NAME.

So this is this, and that is that:
And there's how you AD-DRESS A CAT.



T. S. Eliot

Quarta-feira, Outubro 13, 2004





Reportaje «Oasis de Egipto»
Junio de 2000

(Begoña Rivas)

Segunda-feira, Outubro 11, 2004

poemar

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Ela ensinou-me o que o seu tio lhe ensinara:
Como o maior carvão rachava facilmente
Se o ângulo entre o veio e o martelo fosse o certo.

O som dessa pancada aliciante e segura,
O seu eco agregado e obliterado,
Ensinou-me o golpe certeiro, e a distensão,

Ensinou-me, entre o maço e o cepo, a enfrentar
Consequências. Ensina-me agora a escutar,
A acertar no veio entre as linhas a negro.



(Seamus Heaney)

Sábado, Outubro 09, 2004

hijos de su madre

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Um dos bloggers contou-me esta história:
O Luis Sepúlveda, tendo sido convidado a viver nas Astúrias, inquiriu sobre os asturianos. Dão-lhe a seguinte resposta: "ou se é hijo de puta ou se é um dos nossos"."E eu qual sou?", perguntou. "És dos nossos.

Não vinha à net desde ontem (e um dia dá para muita coisa, conforme ilustrou o infeliz anúncio do El País) e chamam-me a atenção para o facto de alguém, fazendo-se passar por mim, ter deixado comentários desagradáveis noutros blogs.
Ora, é demasiado fácil isto acontecer com o sistema de comentários do haloscan: basicamente trata-se de colocar o nome, o mail e o endereço do blog que se quer imitar, sempre com intuitos filhos da putice que é habitual neste gentinha frustrada e com falta de imaginação.

Pois é, Catarina, estes comentários são pior que anónimos e tão revelador do tipo de gente que os faz, que não vale mesmo a pena perder muito tempo com isto ;)



Quinta-feira, Outubro 07, 2004

E que contes muitos ;)

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E da Ilha Terceira até onde alcançar, sai o 1º livro de poesia do Paulo.





Parabéns! :)

Segunda-feira, Outubro 04, 2004



Janet Leigh (1927-2004)


anonimato

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Está aqui um excelente texto de Paulo Querido, de que transcrevo uma parte, a parte que me interessa realçar, a propósito da criação de réplicas de blogs, a propósito de comentários anónimos cuja autoria se quer confundir com o original o que dá origem a confusões sobre quem é quem. Esses falsos blogs não apenas pretendem provocar o visado autor original - mais grave é enganar e desrespeitar quem lê e comenta de boa fé, supondo que está a dirigir-se a outra pessoa. Claro que para alguns a boa fé não significa nada e o que interessa mesmo é manipular a sinceridade alheia, instrumentalizar essa mesma boa fé das pessoas que se dirigem a A pensando que se estão a dirigir a B e etc - e, depois, ficar a rir ao alto do seu sarcasmo desiluminado.
Desde que descobri e frequento este mundo da net, mais me convenço que é em todo igual ao de lá de fora. A cobardia e a coragem expressas lá fora têm a mesma expressão e referenciam-nos, quer sejamos um nome ou um nick. Tal qual.


(...)
Agora outra coisa. Na blogosfera o anonimato é vulgarmente uma defesa do autor, que deseja publicar sem que isso signifique expôr a sua privacidade. [Nem todos nós procuramos os cinco minutos de fama.] O tom intimista dos blogues ajuda a essa escolha. Muitos, uma vez conhecidos os cantos à casa, acabam por assumir a identidade nos seus blogues. Outros, uma minoria, não.

O anonimato não significa cobardia -- embora alguns cobardes anónimos o usem para tentar insultar e denegrir terceiros.

O anonimato não significa irresponsabilidade ou inimputabilidade -- apesar de alguns cobardes anónimos o usarem irresponsavelmente.

O anonimato merece respeito -- sim, apesar de com isso termos de levar com as diatribes de alguns cobardes anónimos. Pensem nos outros, nos milhares de casos em que só em condições de anonimato puderam ser denunciados escândalos e tiranias e mortandades.

A credibilidade não tem uma relação directa com o anonimato ou a assinatura. A credibilidade é outra coisa. Um jornalista é um profissional treinado para reconhecer sinais de credibilidade numa informação prestada seja por quem for. Mesmo (sobretudo?) por um dirigente governamental. Com o tempo muitos bloggers e consumidores de informação na web adquirem esse treino em quantidades diferentes. Com o tempo aprendemos a separar as fontes mais credíveis das menos credíveis numa escala de valores que tem muito de pessoal, claro, mas também muito de consensual, partilhável pela comunidade.

Como a reputação, a credibilidade constrói-se. Na web como no resto. Há figuras públicas sem credibilidade, ou de baixa credibilidade. E há figuras anónimas (não públicas) de credibilidade comprovada. Por vezes ao longo de anos. Há milhares de bloggers credíveis e respeitados apesar de ninguém os conhecer em carne e osso ou de nome. Aqui Furtado observa bem: «a experiência [dos jornalistas] é ainda escassa para encontrar, ou até para procurar, novos códigos». Que lhes permitam reconhecer as fontes mais e menos credíveis da blogosfera. [Observação: o ónus da inexperiência deve recair sobre o jornalista e não sobre as eventuais fontes. Não foi o caso.]

A credibilidade constrói-se através da repetição, no tempo, de informações sérias e relevantes e de opiniões certeiras. Não se constrói com um feliz mas episódico tiro na mouche. E muito menos fornecendo regularmente informação falsa, deturpada ou enquinada (como é vezeiro na política e na economia, prosseguindo estratégias privadas).

A acabar: um nick, ou pseudónimo, tem o mesmo valor de um nome. É uma assinatura. Identifica aquela pessoa. Na Internet como na vida (quantos "jet-sets" são conhecidos pelos seus diminuitivos familiares? Quem sabe o verdadeira nome de Babá Pita?). José Pacheco Pereira é quase mais reconhecido na Internet (e pelos internautas nas conversas informais em ocasiões sociais) pelas iniciais JPP e até por Abrupto do que pelo seu nome -- esteja ou não ele ciente disso, esteja ou não ele disposto a conceder à assinatura JPP foros de nick oficial.

Quem acha que se refugia atrás de um nick, esqueça. Mais tarde ou mais cedo confronta-se com a reputação desse mesmo nick.

No início da vivência online dizia-se a propósito do anonimato que supostamente caracterizaria estas paragens: na Internet ninguém sabe que tu és um cão. Pouco tempo foi necessário para se perceber que, pelo contrário, os nossos passos digitais deixam rastos e marcas a vários níveis, o principal dos quais a esfera comum de diálogo, a comunidade. A frase pode então ser reformulada mantendo o seu humor inicial: na Internet todos sabem que tu és um cão.


Podem não te reconhecer na rua, mas aqui sabem quem tu és. Cão ou não.

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Preparou-se toda a sua vida para um dia conseguido, e ele aconteceu finalmente. Foi um dia igual a tantos outros, mas conseguiu vivê-lo em completa plenitude.


mil e uma pequenas histórias

Sábado, Outubro 02, 2004



Bom fim de semana!! ! ! !

Sexta-feira, Outubro 01, 2004

Amanhecendo nos blogs

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...com os quadros luminosos da Isabel Magalhães




Incisivas palavras.

Em quase todas as democracias avançadas, a descredibilização crescente do sistema político assenta, em larga medida, no facto de os cidadãos olharem para os dois principais partidos e percepcionarem os seus projectos de poder como se se tratando de alternância e não de alternativa. O resultado disso tem sido, normalmente, crescimento da abstenção e voto em partidos extremistas. Isto é válido para Portugal, ainda com uma intensidade não muito forte é verdade - mas o que se tem passado noutros países europeus pode anunciar o futuro. Pedro Adão e Silva, País Relativo



(...) o regime turco tem ainda graves nódoas para limpar para que a sua candidatura pudesse, por hipótese, ser encarada – as opressões de arménios e curdos, a situação em Chipre. E por falar em Chipre, seria um absurdo admitir a Turquia como estado membro da UE enquanto a recente admissão de Chipre só implicou a sua parte grega (ficando a parte turca excluída por imposição dos cipriotas gregos). Também a eventual adesão da Turquia ia avivar feridas, nomeadamente nos Balcãs, e potenciar inimizades com servos, croatas, montenegrinos e macedónios, estes sim bem mais próximos do contexto cultural europeu.
(...)
Se a Turquia for admitida na UE, temo que os defeitos de um Estado (sob pretexto de os controlar) sejam transformados em bons argumentos de adesão à Europa comunitária. E, a partir daqui, perde-se o critério da virtude democrática, abrindo-se caminho a que os piores se cheguem à frente na fila de espera (qualquer dia, integra-se a Líbia para ter mão no Kadafi…). Tanto que há a fazer na consolidação da integração dos Estados recentemente admitidos, na preparação e ajuda às nações intrinsecamente europeias, porquê a história da Turquia? A UE como braço civil da NATO?

João Tunes, Água Lisa


La Mala Educación
Ser de esquerda é uma forma de má educação. A pessoa de esquerda, por pena do mendigo, quer rudemente meter a mão no meu bolso traseiro para pegar cinqüenta reais. Ou pior, fica insistindo que o Estado o faça. É rude, mesmo que ele mesmo se disponha a dar cinqüenta reais do próprio bolso. Uma pessoa educada mantém as mãos longe das carteiras alheias. Nada mais privado do que uma carteira. E é estranho como pessoas supostamente educadas apóiam calmamente uma política que consiste, na verdade, no manuseio metódico e forçado de todas as carteiras do mundo.
Alexandre Soares Silva