Do Portugal Profundo
“Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
E eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram atrás dos judeus
E eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram atrás dos sindicalistas
E eu não disse nada porque não era sindicalista.
Então vieram atrás de mim
E já não havia mais ninguém para falar por mim.”
Martin Niemöeller, prisioneiro em Sachsenhausen e Dachau de 1938 a 1945, (tradução de A. Caldeira)
Com um abraço de solidariedade para o António Balbino Caldeira.
E desiludida com a Justiça nada cega deste país, ainda um Portugal profundo de interesses velados e compadrios, em que a justiça se escreve com letra pequena e permite que arguidos acusados e pronunciados por vários crimes de abuso sexual de menores, como o sr. Carlos Cruz, tenham tempo de antena em horário nobre na televisão estatal; Permite que a directora de um jornal semanário de grande tiragem e filha do principal advogado da defesa utilize o jornal para promover encapotadamente a defesa dos arguidos, apresente cassetes roubadas a outro jornal e o diabo a sete (lembre-se o conveniente sósia) - e o resultado de tudo isto: descredibilização da investigação policial.
O lema do Portugal Profundo tem sido o da memória: as vítimas últimas de todo este longo processo social, político e judicial foram e são as crianças abusadas sexualmente, psicológicamente e para a vida toda.

